O encontro entre Donald Trump e Lula nos corredores da Assembleia Geral da ONU virou manchete mundial. Foram apenas alguns segundos, um aperto de mãos rápido e um abraço breve. Ainda assim, Trump tratou de destacar em discurso público: chamou Lula de “um homem muito agradável”, disse que houve “química” e que o presidente brasileiro “gostou dele”. Palavras aparentemente simples, mas carregadas de significado político. Para além da cordialidade diplomática, o gesto revela a forma como Trump conduz negociações internacionais: primeiro impõe pressão, depois oferece elogio estratégico, sempre controlando o enredo.
O gesto em detalhes
Trump descreveu o momento como um encontro inesperado. Lula saía de uma sala quando Trump entrava, e nesse instante trocaram algumas palavras. Foram vinte segundos apenas, segundo o próprio ex-presidente norte-americano, mas que bastaram para ele narrar à plateia internacional como se tivesse havido sintonia imediata.
Ele enfatizou que Lula pareceu simpático, que “gostou dele”, e que os dois combinaram se reunir em breve para aprofundar diálogo. O detalhe mais repetido foi a “química” — termo que na política internacional serve para sinalizar proximidade, mesmo quando interesses continuam distantes.
O episódio foi usado por Trump para marcar manchete: mostrar que, apesar das críticas severas ao Brasil, ele é capaz de dialogar e se colocar acima das tensões. A narrativa dá a impressão de flexibilidade, mas mantém o poder de decisão em suas mãos.

O contexto das sanções e tarifas
Vale lembrar que, antes do elogio, Trump vinha endurecendo a relação com o Brasil. Tarifas sobre produtos, restrições comerciais e pressões diplomáticas já estavam em vigor. Para muitos, o elogio não anula nada disso. É parte da estratégia: mostrar dureza primeiro, depois abrir brecha para conversas, sempre deixando claro quem dita as regras.
Para Lula, esse gesto pode soar como alívio temporário, mas na prática nada muda. O Brasil continua enfrentando barreiras que prejudicam setores estratégicos da economia, do agronegócio à indústria. O abraço e a frase de simpatia não se traduzem em benefícios concretos.
A leitura de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro comentou que o gesto de Trump não deve ser interpretado como vitória. Na visão dele, o ex-presidente americano aplicou a mesma tática de sempre: primeiro coloca pressão máxima, depois oferece uma saída com elogios. É a forma de entrar na mesa de negociação com vantagem.
Eduardo deixou claro que Lula agora precisa provar se consegue reverter algo prático. Caso contrário, será apenas uma cena bonita para a imprensa, mas vazia para o povo brasileiro. Ele também destacou que dificilmente Lula terá condições de desfazer relatórios, provas e dossiês que sustentam medidas já impostas pelos Estados Unidos. Ou seja: o elogio de Trump não muda o jogo, apenas reforça quem tem as cartas mais fortes.
Riscos para Lula
- Expectativa popular frustrada – ao divulgar o encontro como “química”, cria-se expectativa de que algo bom virá. Se nada acontecer, o episódio pode virar símbolo de impotência.
- Comparação inevitável com Bolsonaro – durante o governo Bolsonaro, a relação com Trump era de alinhamento ideológico e direto. Lula aparece agora como alguém que se contenta com gestos, mas não obtém ganhos reais.
- Custo político interno – ao aceitar elogios como vitória, Lula pode ser criticado por sua própria base, que esperava enfrentamento e não aparente cordialidade com Trump.
- Munição para a oposição – a direita poderá usar a cena para mostrar que Lula virou peça decorativa no tabuleiro, enquanto Trump dita narrativa e mantém o Brasil pressionado.
Por que Trump agiu assim
Trump sempre trabalhou com a lógica da negociação agressiva. Ele cria tensão, impõe sanções ou tarifas, coloca o adversário em posição desconfortável e, quando quer, estende a mão. O elogio a Lula segue esse padrão. É gesto calculado para passar imagem de líder magnânimo, mas sem abrir mão do controle.
Ao dizer que “Lula gostou de mim”, Trump não apenas reforça simpatia pessoal. Ele envia recado político: o Brasil precisa dele. Mostra ao mundo que até adversários buscam proximidade, ainda que em encontros rápidos. É forma de se colocar como centro das atenções, mesmo em ambiente repleto de líderes mundiais.
O impacto para a direita brasileira
Para a direita, o episódio reforça a tese de que Lula vive de narrativa, não de resultados. O gesto de Trump pode até ter sido manchete, mas nada muda em termos de economia, tarifas ou sanções. A oposição pode explorar isso de forma clara: Lula sai da ONU com elogios, mas sem conquistas reais.
Ao mesmo tempo, a cena abre espaço para destacar o contraste entre o governo Bolsonaro e o atual. Quando Jair estava no poder, havia alinhamento real com Trump em valores e objetivos estratégicos. Hoje, há apenas cordialidade superficial, sem benefícios práticos.
Possíveis desdobramentos
- Negociações futuras – Trump indicou que haverá encontro em breve. A expectativa será se Lula conseguirá algo concreto.
- Pressão interna – oposição e até aliados cobrarão que o governo traga resultados palpáveis, não só discursos.
- Uso eleitoral – nas eleições de 2026, esse episódio pode voltar à tona como símbolo de fragilidade diplomática, se Lula não conseguir converter o gesto em benefício econômico real.
- Reforço da imagem de Trump – internacionalmente, o episódio mostra Trump como líder que consegue chamar atenção com poucos segundos, dominando a narrativa global.
Conclusão
O abraço rápido e as frases de Trump sobre Lula foram suficientes para gerar manchetes, mas pouco acrescentaram em termos de resultados concretos. Para a direita, o episódio revela exatamente o que Lula oferece: discurso e encenação, enquanto o Brasil continua sob pressão.
Trump mostrou mais uma vez sua habilidade política: usa elogios estratégicos para controlar o jogo, manter sua imagem positiva e colocar o adversário em posição desconfortável. Lula, por outro lado, sai da cena como alguém satisfeito por ser chamado de “agradável”, mas incapaz de reverter sanções ou proteger de fato os interesses do Brasil.
Na política internacional, respeito não se conquista com abraços, mas com firmeza, soberania e resultados práticos. O gesto de Trump foi calculado, e a direita sabe que a verdadeira química que interessa é entre poder e autoridade, não entre palavras e sorrisos.
