O Tribunal Superior do Trabalho (TST) autorizou uma manobra jurídica que adiou o pagamento de R$ 702 milhões em dívidas trabalhistas dos Correios, permitindo que a estatal parcele esse montante ao longo de nove meses com prazo final até dezembro de 2026. A decisão foi tomada antes do julgamento do dissídio coletivo entre a empresa e seus funcionários, que vinha travado em meio às negociações sobre reajustes e condições de trabalho. Metrópoles
A medida atende a um pedido formal dos Correios, que argumentaram estar em situação financeira crítica, com desequilíbrios históricos entre receitas e despesas e múltiplos déficits acumulados nos últimos anos. Para a companhia, o pagamento integral imediato poderia agravar ainda mais sua liquidez e comprometer até a continuidade de serviços essenciais no país. Metrópoles

Pelo acordo firmado com o TST, os pagamentos das dívidas trabalhistas não serão mais exigidos agora no fim do ano, e a cobrança fica suspensa por 90 dias, com parcelas mensais até o fechamento de 2026. A corte também proibiu decisões regionais que pudessem bloquear bens dos Correios relacionados a essas causas, limitando a possibilidade de medidas imediatas de execução. Metrópoles
A decisão causou reação de setores ligados aos direitos trabalhistas, que defendem que a estatal honre seus compromissos com quem já venceu causas na Justiça. Para críticos, o parcelamento pode transferir o peso das dívidas dos Correios para o futuro, acumulando incertezas sobre quando e como esses valores serão quitados — especialmente em um cenário em que a empresa enfrenta uma crise interna profunda. Metrópoles
Essa crise dos Correios tem muitas frentes. Além do debate sobre pagamentos de precatórios, a estatal também enfrenta negociações complicadas com os sindicatos, que chegaram a rejeitar propostas de acordo salarial e ainda podem levar o impasse ao próprio TST em forma de julgamento de dissídio coletivo. Metrópoles
Paralelamente, a empresa elaborou um plano de reestruturação lançado neste fim de ano, que inclui cortes de custos, fechamento de agências e um programa de demissão voluntária que pode atingir até 15 mil funcionários ao longo de 2026 e 2027 — medidas consideradas duras, mas vistas pela direção como necessárias para restabelecer sustentabilidade financeira a médio prazo. Metrópoles
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o adiamento e parcelamento das dívidas trabalhistas é um reflexo do cenário de deterioração fiscal dos Correios, que vem acumulando prejuízos consecutivos e já precisou firmar empréstimos bilionários com bancos para manter operações básicas. Metrópoles
A situação dos Correios se tornou um tema de debate político e econômico no país, levantando questões sobre a necessidade de modernização da estatal, a viabilidade das atuais regras trabalhistas para empresas públicas e o papel do Judiciário em intervir em conflitos que misturam aspectos jurídicos e financeiros. Metrópoles
Enquanto o desenlace sobre os precatórios e as negociações salariais segue em andamento, a estatal terá algum fôlego financeiro extra para tentar equilibrar suas contas e evitar medidas drásticas adicionais neste início de ano — mesmo que o alívio seja temporário e fruto de uma intervenção extraordinária do TST.
