Uma revista semanal francesa fez um perfil bastante incisivo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, descrevendo-o como um dos personagens centrais da política judicial brasileira atual — chegando a rotulá-lo de “xerife da democracia”. A matéria o retrata como um magistrado inflexível, símbolo de resistência institucional contra ameaças à ordem democrática no país. Seu estilo de atuação, os casos que comanda, as críticas que recebe e o papel público que ocupa foram colocados sob o microscópio estrangeiro. Esse recorte revela tanto fortalezas quanto tensões: quem Moraes realmente é, para além do tribunal.
🔍 Perfil destacado: firmeza e visibilidade
A revista francesa destaca que Alexandre de Moraes tomou para si decisões que chamam atenção tanto pela coragem institucional quanto pelas controvérsias. Ele é apresentado como alguém que não muda de tom: decisões duras, firmeza em julgamentos, pouca complacência com atos que possam implicar risco para a democracia. Um dos pontos mencionados é seu papel central no julgamento do ex-presidente condenado por tentativa de golpe, e como, nesse processo, Moraes manteve postura ativa, interpretando sem hesitação denúncias, provas, discursos e indícios.
Outra característica ressaltada é sua visibilidade pública. Ele não atua só nos autos do tribunal; tornou-se figura de debate popular: polariza, inspira apoio e provoca reação. Nas redes sociais, em meios de comunicação nacionais e internacionais, Moraes já recebeu adjetivos variados: de “juiz da ordem” até “ditador”, dependendo do lado que observa. Esse papel de “xerife” reflete, para a revista, uma função quase simbólica — de guarda da institucionalidade em meio à crise política.

⚖️ Casos emblemáticos que reforçam esse perfil
A reportagem menciona episódios que ajudaram a construir essa imagem de magistrado implacável:
- O bloqueio de aplicativos como o Telegram, quando usado para disseminar conteúdos que o STF entendeu como deslegitimadores da Justiça ou fomentadores de desinformação.
- Intervenções judiciais em redes sociais, exigindo retirada de publicações, responsabilização de quem propaga discursos considerados antidemocráticos ou falsos.
- O julgamento do ex-presidente, com ênfase em provas, no modo como Moraes conduziu questionamentos, ouviu testemunhas, cotejou documentos, sem ceder a pressões políticas ou midiáticas.
- A resistência frente a críticas tanto internas quanto externas: ações de advogados, políticos opositores, mídia crítica, mas sem aparente recuo ou hesitação em decisões decisivas.
🧭 Temas de tensão levantados
Embora o perfil francês ressalte méritos, ele também aponta claramente as controvérsias:
- Liberdade de expressão vs fiscalização: o dilema entre permitir debate livre e evitar a propagação de discursos que possam ameaçar processos democráticos. Onde fica o limite? Moraes frequentemente aparece no epicentro dessa disputa.
- Críticas por excesso: há quem critique que algumas decisões do ministro possam estar próximas de extrapolar seus poderes constitucionais. Alegações de que decisões antecipadas, punições a propagadores de discurso ou duras sanções seriam formas de silenciamento político.
- Pressão internacional: sua atuação já chamou atenção fora do Brasil. A revista, por exemplo, destaca reações de atores internacionais, nomeações destacadas, opiniões de jornais estrangeiros, comparações com autoridades judiciais que também enfrentam tensões em seus países.
🌍 Como a imagem dele se espalha no exterior
O perfil francês mostra que Alexandre de Moraes, além de juiz dentro do STF, tornou-se referência fora do país — tanto para quem elogia justiça forte quanto para quem critica riscos de autoritarismo judicial. Em discursos acadêmicos, em artigos de imprensa estrangeira, em debates sobre democracia em crise, Moraes aparece como exemplo de magistrado que assume papel decisivo quando instituições políticas vacilam (ou são acusadas de vacilar).
Essa visibilidade fortalece sua imagem de alguém com poder real, não só formal. O tribunal, as decisões que ele comanda, os processos que comanda, ganham repercussão internacional — o que por sua vez adiciona pressão, aumenta o escrutínio dos atos, amplia críticas, mas também respaldo de quem valoriza a independência judicial.
🔒 O “xerife” em meio às críticas
Chamar alguém de “xerife da democracia” não é elogio neutro. Implica vigilância, autoridade, punição, coragem — mas também risco de que autoridade se torne arbítrio. A revista destaca essa tensão:
- Para alguns, Moraes é defensor da Constituição e guardião contra tentativa de ruptura da ordem democrática.
- Para outros, ele está se tornando figura controversa de concentração de poder, de decisão antecipada, de pouca tolerância com oposição ou críticas, de julgamento político mascarado de jurídico.
❤️ Impacto no Brasil interno
Essa imagem internacional reverbera fortemente dentro do país:
- Críticos de Moraes usam o perfil para reforçar acusações de que ele extrapola e ameaça liberdades.
- Seus apoiadores veem confirmação de que o Brasil está olhando, o mundo está de olho, e que sua atuação é reconhecida como firme e necessária.
- Autoridades políticas têm de equilibrar discursos: quem apoia Moraes muitas vezes o defende como necessário para evitar colapsos institucionais; quem se opõe acusa de que ele está se tornando uma figura simbólica de controle judicial.
📝 Conclusão
O perfil francês de Alexandre de Moraes como “xerife da democracia” capta bem o dilema de poder, visibilidade e julgamento institucional no Brasil de hoje. Ele é visto por muitos como figura decisiva, como magistrado que se impõe perante desafios enormes à democracia, discursos de disrupção, golpes de autoridade. Mas também é figura que provoca desconforto, críticas, acende alertas sobre onde vai o limite de um juiz na política.
No fim, Moraes se torna espelho: de cada lado que o observa, se projeta o que se teme ou o que se espera. O que sua trajetória mostra é que, numa democracia em crise, não há espaço para neutralidade: cada ação institucional conta, cada decisão é interpretada, cada perfil molda narrativa. E Moraes, por sua vez, parece abraçar parte desse papel. Seja como símbolo ou agente direto, sua presença é central — para quem acredita que instituições devem segurar rupturas, para quem teme que poder sem freio seja perigoso.
