O Brasil viveu um momento que muitos julgavam distante: uma condenação firme contra ataques à democracia liderados por um ex-presidente. O New York Times, em editorial recente, destacou que, com a sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) condenando Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o país demonstrou coragem e responsabilidade — coisas que, no entendimento do jornal, ainda faltam em certas ocasiões nos Estados Unidos. Ontem, o STF sentenciou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, em regime fechado, por vários crimes graves relacionados à sua atuação após a derrota nas eleições de 2022. Vamos aos detalhes.
🔍 O que diz o artigo do New York Times
O editorial, assinado por Steven Levitsky (autor de Como as Democracias Morrem) e Filipe Campante, afirma que o Brasil está dando um exemplo ao mundo. A grande crítica é que, nos EUA, mesmo com episódios como o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, a responsabilização política e judicial tem sido lenta, muitas vezes inconclusiva ou marcada por impasses legais. Terra+1
O texto ressalta que no Brasil, diferente de muitos momentos dos EUA, o sistema judiciário não se dobrou frente ao poder ou à retórica golpista. O STF julgou, acusou, ouviu defesa e produziu uma condenação histórica e pesada. Para os autores, é a reafirmação de que instituições fortes podem frear rupturas democráticas — se houver independência, coragem e processos transparentes. Terra+2Agência Brasil+2
⚖️ O que levou à condenação de Bolsonaro
O julgamento envolveu acusações como:
- tentativa de golpe de Estado;
- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- participação em organização criminosa armada;
- dano qualificado;
- deterioração de patrimônio tombado; El País+3Wikipédia+3Agência Brasil+3
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF, por maioria de quatro votos a um. A pena de 27 anos, três meses foi fixada em regime inicialmente fechado, somando também multa de dias-multa. Reuters+2Terra+2
🌎 Por que isso está sendo visto como “sucesso onde os EUA falharam”?
Segundo o New York Times, há três razões que marcam essa diferença:
- Imparcialidade institucional — apesar de pressões políticas, discursos populistas, narrativas polarizantes, o STF conseguiu manter-se relativamente livre de interferência.
- Prova e processo — o julgamento teve base em documentos, depoimentos, provas concretas, contraprovas e teve direito de defesa amplo.
- Natureza simbólica e prática — não foi só uma decisão simbólica: houve efeito real de imposição de responsabilidade, algo que muitos apontam como faltante em investigações ou processos nos EUA após eventos como 6 de janeiro. Reuters+3Terra+3Agência Brasil+3
🔎 Comparações delicadas: EUA x Brasil
É importante, claro, colocar os contextos em perspectiva. Nos EUA, o sistema jurídico é diferente: federal, com separações fortes entre jurisdição, com limitações constitucionais bastante rígidas, e com um sistema de precedentes judiciais influente. O recurso legal é também muito complexo, com muitos recursos, prisões preventivas, apelações etc.
No Brasil, apesar dos desafios — polarização, risco de instabilidade, pressões externas e internas — o processo no STF andou relativamente rápido, com ampla cobertura, com ministros assumindo o custo político de uma decisão dura. Para o NYT, isso representa que instituições democráticas, quando respaldadas por legalidade e pelos atores potenciais de fiscalização, podem funcionar eficazmente. Terra+2Agência Brasil+2
⚠️ O que fica em aberto
- Recursos: a sentença ainda pode ser alvo de apelos, medidas protetivas da defesa, embargos, etc. Ainda não é certa a sua execução imediata.
- Efeitos práticos: além da pena, há implicações políticas, de inelegibilidade, reputação internacional, impactos no apoio público.
- Reação política: defensores de Bolsonaro apontam perseguição, falhas processuais, alegações de parcialidade. Esses discursos ganharão força à medida que o processo avance.
- O exemplo do Brasil pode servir como modelo ou advertência, mas casos diferentes exigem análises distintas: separação de poderes, independência judicial e demais garantias são fundamentais.
🚀 Significado para o futuro
Essa condenação pode marcar:
- Um precedente de que ex-presidentes podem ser responsabilizados mesmo após deixarem o poder, mesmo que tenham redes de poder, influência popular e apoio militar.
- Um alerta para políticos no mundo todo de que discursos polarizadores, tentativas de minar instituições democráticas ou de deslegitimar eleições não são “custos políticos”, mas crimes passíveis de punição.
- Possível fortalecimento da cultura do Estado de Direito no Brasil, se houver continuidade nos processos, transparência, observância das garantias jurídicas.

📝 Conclusão
O Brasil, nesta semana, viveu um momento que pode entrar para os livros de história democrática. A condenação de Jair Bolsonaro pelo STF, celebrada por articulistas como os do New York Times, é vista como um exemplo de que é possível, em democracias frágeis ou em crise, resistir às pressões autoritárias e punir quem tenta subverter a ordem institucional.
Se você me perguntar, esse caso já é uma vitória simbólica enorme — mas o teste real está em manter o estado de direito firme: garantir que os recursos legais sejam respeitados, que a prisão, se ocorrer, siga os padrões, que o processo, mesmo controverso, continue com transparência.
O Brasil parece estar dizendo ao mundo que não aceita retrocessos democráticos facilmente. E isso, por si só, já vale muito.
