O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez uma declaração incisiva dizendo que não aceitará anistia ampla, geral e irrestrita para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ele repudiou propostas de redução de penas que estejam abaixo desse padrão de anistia total, classificando-as como “indecorosas” e “infames”. A fala dele reacende debates sobre legalidade, memória democrática, polarização política e até possíveis sanções externas.
🔍 O que Eduardo Bolsonaro disse
Eduardo usou suas redes sociais para afirmar que “anistia ampla, geral e irrestrita” não está em negociação. Ele rejeita de plano qualquer proposta que seja apenas de redução de penas (“dosimetria”), para casos que ele considera nulos ou ilegais, advindos de inquéritos abusivos, inconstitucionais. Para ele, aceitar uma redução menor é traição ao que ele defende como Justiça e Liberdade para seu grupo político.
Ele direcionou críticas ao relator do projeto de redução de penas, Paulinho da Força, acusando-o de estar envolvido em acordo “infame” que poderia trair o que ele chama de ideal de pacificação. Eduardo afirmou ainda que quem participar de uma proposta que, para ele, atue como “colaborador do regime de exceção” poderá sofrer consequências, inclusive, muito perigosas.

⚖️ Contexto político e legal
Desde que o STF (Supremo Tribunal Federal) condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, surgiram no Congresso diversas movimentações para discutir formas de mitigação ou reparação dos efeitos legais para os condenados — sejam aliados, sejam quem participou de manifestações, inquéritos, etc.
Uma das frentes de debate propõe reduzir as penas, alterar efeitos de inelegibilidade, etc. Esse projeto de redução de penas está sendo relatado por Paulinho da Força, que já sinalizou que anistia irrestrita ampla provavelmente não será aceita, em parte por questões constitucionais, em parte por pressões políticas.
Há também uma PEC da Blindagem envolvida no cenário, e articulações com líderes partidários, com ex-presidentes, para negociar esse tipo de proposta. O tema ganhou forte repercussão porque toca em memória democrática, na atuação do STF, no papel da lei e na divisão do que se considera “justiça” ou “esquecimento”.
🔒 O que Eduardo critica
Eduardo Bolsonaro critica três pontos principais:
- A mera redução de penas em vez de anistia total. Ele considera que só aceitar redução de pena é continuar aceitando que os processos sejam válidos — para ele, muitos desses inquéritos são ilegais ou abusivos, então aceitar pena menor significa legitimar algo que ele vê como injusto.
- Colaboradores do regime de exceção. Ele acusa o relator e outros parlamentares de estarem agindo como colaboradores de um sistema judicial ou político que, segundo ele, persegue injustamente aliados e simpatizantes, e que trata casos como os de 8 de janeiro como brasões para perseguição.
- Sanções internacionais: Eduardo sugere que quem apoiar propostas contrárias à anistia ampla poderá ser alvo de sanções externas, inclusive dos Estados Unidos. Ele faz uma conexão entre articulações políticas no Brasil e pressão diplomática ou legal externa.
🧭 Repercussões e tensões
- Judicial: a proposta de anistia ampla, geral e irrestrita enfrenta gravíssimos obstáculos legais, porque há decisões do STF que já consideraram inconstitucionais partes de propostas similares (especialmente para atos considerados graves contra a democracia). Qualquer texto que tente rasgar essas decisões pode ser contestado no Supremo.
- Político: existe forte resistência não só da oposição, mas também dentro de setores do governo e do Centrão, que avaliam que uma proposta de anistia total seria danosa à imagem institucional do país, à confiança pública nas instituições judiciais, e até uma ameaça à democracia.
- Social: para muitos cidadãos, anistias desse porte têm efeito simbólico muito grande — apagam memórias, geram sensação de impunidade, alimentam divisões. Já para quem apoia, é visto como correção de excessos ou perseguição política.
- Internacional: quando Eduardo menciona sanções e quando ele está articulando contatos externos (por exemplo com autoridades americanas) para mobilizar pressão diplomática ou legal, isso gera preocupações de soberania, de interferência e de imagem internacional do Brasil.
🔮 Possíveis cenários
O que pode rolar daqui para frente:
- Texto intermediário ou de compromisso — em vez de anistia irrestrita, pode haver proposta que combine redução de penas, restrições, cláusulas condicionais, que tentem respeitar decisões do STF, para evitar conflitos judiciais.
- Veto ou judicialização — se for aprovada proposta muito ampla, possível que STF intervenha, suspenda, declare inconstitucionalidades, bloqueie efeitos.
- Divergências dentro da base bolsonarista — nem todos apoiadores da anistia ampla concordam com os termos ou com riscos. Pode haver disputas internas sobre formato, alcance, condições.
- Manobras parlamentares — adiamento, protelamento, uso de comissões, emendas que limitem o alcance. Também pode haver articulações de outros partidos para modificar ou reduzir muito o texto original.
- Mobilização pública — manifestações, discursos, oposição, mídia, sociedade civil vão pesar bastante. A opinião pública pode se chocar se considerar que essa anistia ameaça a democracia, ou se for percebido como “passar pano”.
📝 Conclusão
O recado de Eduardo Bolsonaro é cristalino: nada de “anistia ampla, geral e irrestrita”. Ele quer esse tipo de anistia completa para os condenados, mas ao mesmo tempo rejeita firmemente propostas menores ou intermediárias que ele julgue insuficientes ou que, em sua visão, legitimem processos ou instituições que considera abusivas.
Essa posição acentua o dilema jurídico-político que o Brasil vive neste momento: entre reparar excessos, punir responsabilizados ou permitir que parte da população entenda que se está “passando pano”, especialmente em crimes que tocaram o Estado Democrático.
Se nada mudar, é provável que a versão final do projeto de anistia seja muito diferente da ampla desejada por parte bolsonarista — uma espécie de redução de pena ou anistia parcial, mas não irrestrita. E a eleição de 2026, o papel do STF e da Câmara, o que se consome como memória democrática, tudo isso vai pesar no entendimento público.
