O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu à fala de Donald Trump na 80ª Assembleia Geral da ONU, em que o presidente dos EUA elogiou Lula. Eduardo classificou o episódio como uma combinação de “firmeza estratégica com inteligência política”, afirmando que Trump usou o gesto como peça de negociação, não como reconhecimento genuíno.
O que Eduardo Bolsonaro disse
- Eduardo afirmou que Trump aplicou pressão diplomática, elevou tensão, e depois reposicionou-se numa posição confortável para negociar.
- Disse que discursos como o de Trump reforçam sua genialidade como negociador: “ele entra na mesa quando quer, da forma que quer e na posição que quer”, avaliou.
- Também declarou que, embora tenha havido elogio de Trump a Lula e promessa de reunião para discutir tarifas impostas ao Brasil, essa troca de gentilezas “não é vitória automática”. Ele alerta que Lula agora enfrenta o desafio de extrair algo real dessa oportunidade.

O pano de fundo: sanções, tarifas e pressões externas
- Trump impôs tarifas pesadas sobre produtos brasileiros e sancionou pessoas ligadas ao governo ou à Justiça brasileira, como resposta à condenação de Jair Bolsonaro.
- O gesto de elogio de Trump ocorre num contexto em que os EUA mantêm sanções, tarifas e ações diplomáticas como forma de pressão, o que para Eduardo reforça a ideia de que o Brasil está numa negociação pesada, em que não há garantias de bom resultado se não houver contra-reação ou articulação forte. Bnews+2Metrópoles+2
A mensagem para Lula
- Segundo Eduardo, Lula agora está numa posição difícil: saiu do discurso e do palanque, mas precisará mostrar força real para reverter medidas contra o Brasil. Ele falou que “é difícil o Lula conseguir reverter todo o material probatório, os relatórios e os briefings que recebeu” de Washington, indicando que ele precisará de articulação política interna e internacional.
- Eduardo insinua que o gesto de Trump serve mais para ganhar boas manchetes do que para oferecer garantias concretas — que o Brasil, mesmo com o elogio, permanece vulnerável a pressões externas se não tiver uma postura firme, coerente e legalmente sustentada.
Por que isso interessa a quem valoriza lei, ordem e soberania
- O episódio mostra que reconhecimento ou elogios internacionais, embora atraentes, não valem muito se não vierem acompanhados de resultados práticos — reversão de sanções, respeito comercial, cedência mínima ao ideário legal.
- Para o público de direita, isso reforça a ideia de que o Brasil precisa construir uma política externa que defenda seus interesses, que não se curve a pressões e que valorize alianças, mas com reciprocidade.
- Também evidencia que anistia ampla, geral e irrestrita pode parecer algo desejado por parte do Bolsonarismo, mas se não vier com garantias legais, segurança democrática e respaldo institucional, será usada como moeda de negociação, e não como instrumento de justiça.
Possíveis desdobramentos
- Debate interno vai se intensificar: opositores poderão acusar Dilma de subserviência ou de aceitar pressões, enquanto apoiadores vão exigir que Lula aproveite essa “mesa de negociação” para algo concreto.
- Eleitores conservadores vão ficar de olho em como Lula vai agir: se ele realmente reverterá sanções, se as tarifas serão negociadas, ou se vai se limitar a discursos diplomáticos.
- O governo brasileiro poderá usar esse momento para articular uma resposta legal: acionar órgãos internacionais, negociar tarifas, buscar compensações ou pressões mútuas.
- Discurso de anistia poderá ganhar tração como peça para barganha política: se Trump reconheceu Lula, partidos bolsonaristas e direita vão apontar que ele também espera algo em troca — e muitos vão exigir que a anistia não seja concessão vazia, mas algo legalmente robusto.
Conclusão
A manifestação de Eduardo Bolsonaro após os elogios de Trump a Lula na ONU revela que, para além de diplomacia e simbolismo, há uma disputa por poder, narrativa e resultados concretos. Elogios internacionais impressionam, dão manchete, mas não alteram decisões que afetam tarifas, sanções, investigação judicial ou direitos políticos.
Para quem valoriza ordem, coerência e soberania, o que importa não é o discurso, mas o que vier depois dele. Se Lula quer essa oportunidade, precisará oferecer algo palpável — não será hora de recuar, mas de articular estratégias fortes, base legal firme e respaldo institucional.
