O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro do debate político após vir a público a informação de que solicitou o uso de medicamento antidepressivo durante sua internação hospitalar em Brasília. A decisão, segundo pessoas próximas ao tratamento, faz parte de um ajuste médico diante do desgaste físico e emocional acumulado após um período prolongado de problemas de saúde.
Bolsonaro está internado por conta de crises intensas de soluço, quadro que se arrasta há dias e que acabou exigindo acompanhamento médico mais próximo. Além disso, ele segue em avaliação por complicações relacionadas a cirurgias anteriores, consequência direta do atentado sofrido em dois mil e dezoito e de procedimentos posteriores. O cenário levou os médicos a adotarem uma abordagem mais ampla, olhando não apenas para os sintomas físicos, mas também para o impacto emocional do quadro.
O uso de antidepressivos, segundo especialistas, é comum em pacientes submetidos a longos períodos de internação, dor recorrente e incertezas clínicas. Ainda assim, a informação foi rapidamente explorada politicamente por setores da imprensa e por adversários, numa tentativa de transformar uma decisão médica em narrativa política. Para aliados do ex-presidente, trata-se de mais um exemplo de desumanização deliberada, ignorando que Bolsonaro é um paciente em tratamento, não um personagem de disputa ideológica.

Pessoas próximas afirmam que Bolsonaro já havia feito uso de medicação semelhante em outros momentos, sempre com acompanhamento médico, e que a decisão atual não representa agravamento grave de saúde mental, mas sim uma medida preventiva e de estabilização emocional. A expectativa é que o medicamento contribua para melhorar o sono, reduzir o estresse e acelerar a recuperação física.
O episódio reacende um debate mais amplo sobre saúde mental e liderança política. Em qualquer país sério, o cuidado psicológico de figuras públicas é tratado com naturalidade e responsabilidade. No Brasil, porém, a polarização transformou até mesmo decisões clínicas em munição política. Para o campo conservador, isso expõe não fragilidade do ex-presidente, mas a fragilidade do debate público.
Aliados também destacam que Bolsonaro passou anos sob pressão extrema, enfrentando ataques constantes, crises institucionais, tentativas de deslegitimação e um ambiente político hostil. Somado ao histórico médico complexo, o impacto emocional é inevitável. Ainda assim, ele segue acompanhado por equipe médica e mantendo contato com familiares e aliados próximos.
A equipe responsável pelo tratamento avalia que os efeitos do antidepressivo devem ser percebidos gradualmente, ao longo dos próximos dias, enquanto Bolsonaro continua sendo monitorado. A possibilidade de alta hospitalar dependerá da evolução clínica geral e da resposta ao tratamento adotado.
Para muitos apoiadores, o episódio deveria servir como um chamado à maturidade: cuidar da saúde mental não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade. Em um país onde milhões de brasileiros convivem com ansiedade, depressão e estresse extremo, tratar o tema com respeito é mais necessário do que nunca — independentemente de quem esteja no centro da notícia.
