O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo tenham 15 dias para apresentar defesa à denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra eles. A acusação envolve suposta coação no processo judicial que condenou Jair Bolsonaro. Segundo a denúncia, os dois teriam articulado pressões externas para tentar alterar o curso do julgamento. O prazo concede a eles a oportunidade de responder juridicamente antes de qualquer definição mais dura.
O que a acusação diz
A PGR acusa que Eduardo e Figueiredo agiram fora do Brasil para interferir no julgamento de Moro e do STF — teriam buscado apoio político junto a autoridades estrangeiras, ameaçado retaliações comerciais e instituído sanções ocultas caso o Brasil ou os ministros não cedesse à exigências.
A acusação fala em “crime de coação no curso do processo”, previsto no Código Penal, aplicável quando alguém utiliza grave ameaça ou pressão para influenciar decisões judiciais. Neste caso, a denúncia considera que houve pressão política externa para intervir contra processos conduzidos pelo STF.

O poder da decisão de Moraes
Ao conceder esse prazo, Moraes segue rito legal: antes de transformar Eduardo e Figueiredo em réus, cabe conceder direito à ampla defesa. Trata-se de etapa necessária: não se decide culpa ou inocência agora, apenas se há indícios mínimos para abertura de ação penal.
Se a defesa não apresentar manifestação em tempo, o STF poderá decidir por citar os acusados por edital e prosseguir mesmo sem comparecimento — ou pedir designação de defensor. Como eles estão nos EUA, a intimação regular será mais complexa, mas o rito tem previsão para casos internacionais.
A movimentação política por trás da denúncia
Essa denúncia não é isolada: ocorre num momento intenso politicamente. O caso se conecta ao cenário da anistia, ao desgaste com decisões judiciais, ao conflito de narrativas entre direita e o STF. Eduardo Bolsonaro vinha sendo apontado para cargos de liderança política, mas esse tipo de acusação complica caminho institucional e eleitoral para ele.
Para muitos na direita, a denúncia é vista como tentativa de cerceamento, retaliação judicial ou perseguição política. Eles afirmam que tratar como crime sentimento político ou críticas em redes sociais vale abrir precedentes preocupantes.
Por que isso interessa à direita
- Representa teste institucional: será que atos políticos, ainda que fortes, podem ser criminalizados?
- Abre alerta para liberdade de expressão: se pressionar ou criticar for enquadrado como coação, defensores da direita veem risco de silenciamento.
- Implica consequências eleitorais: Eduardo acumulava protagonismo; com essa espada judicial pendente, tende a ter dificuldade de mobilizar candidatura ou assumir liderança política com segurança.
- Pode reforçar narrativa de guerra jurídica: direita sustentará que autoridades do Judiciário ampliam poder para atacar opositores.
Possíveis caminhos
- Defesa robusta: Eduardo e Paulo terão que responder com alegações técnicas, contestar provas, pedir falhas procedimentais ou nulidades.
- Rejeição ou aceitação parcial: O STF poderá ou rejeitar a denúncia ou aceitá-la transformando-os em réus para continuidade processual.
- Pressão política: aliados, imprensa e público conservador vão monitorar cada passo para evitar que processo vire arma política.
- Uso como ônus eleitoral: adversários podem usar denúncia para deslegitimar Eduardo em debates futuros, mas ele poderá virar vítima exemplar para base que defende contra perseguição política.
Conclusão
Dar prazo de 15 dias não significa já condenar — é ato processual, mas com grande carga simbólica. Essa denúncia da PGR contra figuras da direita política reflete tensão entre poder judicial, política partidária e controle institucional.
Para quem apoia direita, é momento de exigir prova robusta, defender que não se puna quem exerce discurso crítico ou ação política. Se acusação tiver base legítima, que se apure com rigor; se for retaliação, que seja contida por princípio constitucional.
